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Como tratar ferida no pé e acelerar a cicatrização

Enfermeiro tratando ferida no pé do paciente

Seja você um profissional da enfermagem ou paciente, é fundamental entender como funciona todo o processo de como tratar uma ferida no pé.

Os procedimentos que compartilho a seguir são fruto de mais de 20 anos de atuação em pacientes portadores de feridas, como médico e enfermeiro estomaterapeuta.

Passo a passo de como tratar ferida no pé

As feridas nos pés são, certamente, os casos que mais recebemos na rede de clínicas Doutor Feridas e nos atendimentos que fazemos online para pacientes em todo Brasil.

Com isso, criamos uma metodologia considerando os pontos essenciais para uma boa abordagem eficaz nestes tratamentos:

1) Diagnóstico correto

2) Tratamento tópico adequado

3) Abordagem das doenças associadas

4) Suplementação nutricional

5) Terapias adjuvantes (auxiliares), com foco na aceleração da cicatrização

1) Diagnóstico correto

A ferida nos pés pode ter várias origens diferentes.

Sem estabelecer o diagnóstico correto da causa da lesão é praticamente impossível iniciar o tratamento.

Por isso, não existe uma receita única para tratar essas feridas, e cada paciente deve ser analisado individualmente para a conclusão do diagnóstico.

As principais causas de feridas nos pés são traumas, neuropatias e problemas vasculares.

As feridas traumáticas – que resultam de batidas, cortes e outros incidentes – geralmente não costumam ter grandes complicações a depender da gravidade.

Porém, em alguns casos elas podem se tornar crônicas, devido a doenças preexistentes como diabetes ou doenças vasculares.

1.1 Neuropatias

As neuropatias acometem principalmente os pacientes diabéticos ou portadores de hanseníase.

No Diabetes podem ocorrer três tipos de neuropatias diferentes:

  • Neuropatia sensitiva, que provoca perda de sensibilidade, expondo o paciente ao risco de úlceras pela perda do mecanismo protetor.
  • Neuropatia motora, que causa um desabamento das articulações do pé, causando deformidade e aumento da pressão em determinadas regiões plantares, o que irá provocar formação de calos e ferimentos.
  • Neuropatia autonômica, que provoca uma dificuldade de controle da transpiração do pé, levando a uma situação de extremo ressecamento e formação de rachaduras nos pés.

1.2 Doenças Vasculares

Outra causa de ferimento nos pés são as doenças vasculares, sejam elas de grandes ou pequenos vasos.

As principais causas de problemas vasculares nos pés são:

  • colesterol elevado
  • diabetes mellitus
  • tabagismo

No colesterol elevado (dislipidemia) as placas de gordura vão se depositando nas artérias, por um processo chamado de ateromatose (placas de ateroma ou gordura).

É um processo lento e que pode ter origem genética (dislipidemia familiar) ou adquirido por má alimentação e sedentarismo.

O tabagismo crônico também leva ao bloqueio das artérias devido à ação contínua da nicotina (provocando vasoconstrição das artérias e arteríolas).

Esse dano contínuo ao longo dos anos provoca doenças vasculares graves, podendo acometer não somente as pernas, o coração e outros órgãos vitais.

Já o diabetes mellitus é sem sombra de dúvida uma das principais causas de amputação de pés em todo mundo, como consequência do agravamento das feridas de pés diabéticos.

A doença leva a uma processo de inflamação crônica dos vasos sanguíneos, além de estar geralmente associada com dislipidemias.

O diagnóstico correto salva vidas

É fundamental estabelecer a causa da ferida no pé para que as medidas de tratamento sejam direcionadas de forma adequada e seja possível otimizar o processo de cicatrização.

Em meu consultório, por exemplo, já tive inúmeros casos de pacientes que tiveram diagnóstico de diabetes mellitus a partir de um ferimento.

Vale lembrar também que a ferida pode ser apenas a manifestação da doença e que, se não abordada corretamente, pode ter um desfecho grave.

Pacientes com ferimentos de origem arterial, por exemplo, têm um alto risco para doenças arteriais em outras partes do corpo.

Ou seja, tratar somente o ferimento sem abordar a origem pode fazer com que o paciente tenha um infarto agudo do miocárdio ou um acidente encefálico isquêmico por negligência de cuidados.

2) Tratamento tópico adequado

Conhecendo a causa da ferida, o passo seguinte é aplicar a melhor terapia tópica adequada para o paciente.

O leito da ferida, a pele em volta da lesão e o aspecto do exsudato (líquido que sai da ferida) são pontos fundamentais para a escolha do melhor tratamento.

No leito da ferida deve-se buscar a primeira presença de tecido desvitalizado, o que vai requerer a limpeza da ferida por uma técnica instrumental ou uso de produtos com essa finalidade.

Esses produtos podem fazer o que chamamos de desbridamento autolítico, quando se deixa a necrose úmida para facilitar o processo de fagocitose pelos macrófagos e, assim, combater e prevenir as infecções.

As enzimas também podem ser utilizadas para isso, como a papaína, colagenase ou fibrinolisina.

Vale lembrar que a prescrição dessas substâncias deve ser feita por um médico especialista em feridas.

Outro ponto importante a ser observado no leito da ferida é a presença ou não dos sinais de infecção.

Os principais sinais de infecção são: tecido pálido, presença de exsudato com cheiro forte, presença de uma capa amarelada ou esverdeada no leito da ferida.

Caso seja identificado algum desses sinais, deve-se providenciar uma limpeza adequada da ferida, aplicação de substâncias apropriadas para limpeza da lesão e uso de coberturas antimicrobianas.

Em casos onde o paciente apresenta sinais sistêmicos ou a pele em volta encontra-se com sinais de infecção estendida (vermelhidão, calor e dor), o paciente precisa procurar um médico imediatamente para início de antibioticoterapia.

Uma vez vencida a infecção, a ferida deve ser mantida em um ambiente de controle de umidade para que a cicatrização aconteça.

É importante saber também que o leito da ferida não pode estar ressecado, pois a cicatrização só acontece em meio úmido.

2.1 Avaliando o exsudato da ferida

O aspecto normal do líquido que sai de uma lesão é que claro e transparente, o que alguns cientistas chamam de transudato.

O exsudato da ferida deve ser avaliado em relação ao aspecto, quantidade e odor.

O aspecto do exsudato vai sugerir qual o melhor tratamento tópico.

Por exemplo, em caso de sangramento existe a possibilidade do uso de alginato de cálcio, que contribui para a hemostasia.

Já em caso de sinais de infeção, como odor desagradável e aspecto esverdeado ou amarelado, podemos usar coberturas antimicrobianas.

A quantidade excessiva de exsudato pode sugerir infecção e exigirá alguns cuidados específicos, como produtos para tratar a infeção, limpeza correta da lesão, coberturas com capacidade de absorção e proteção da pele perilesional.

2.2 Avaliação da pele perilesional (em volta da ferida)

Além do tratamento adequado do leito da ferida, a pele em volta da ferida deve ser cuidada. O excesso de umidade pode provocar maceração, contribuindi para o aumento da ferida.

A maceração pode ser evitada com o uso de cremes barreiras protetoras ou películas protetoras.

A presença de queratose pode impedir a migração da periferia para o centro da lesão e deve ser removida sempre que for formada.

Além de liberar a borda de lesão, essa medida expõe a ferida para receber o tratamento tópico adequado.

O ressecamento, por sua vez, pode ser evitado com o uso de cremes hidratantes adequados.

Deve-se evitar o uso de óleos na pele perilesional, pois estes impermeabilizam a pele, evitando a transpiração correta.

3) Abordagem das doenças associadas

O bom tratamento de uma ferida no pé não pode desconsiderar a abordagem de doenças associadas, principalmente diabetes e doenças arteriais.

A otimização de medicamentos a fim de manter os níveis glicêmicos adequados é fundamental para acelerar a cicatrização.

Níveis elevados de glicose fazem com que haja uma interrupção de mitose e migração celular, além de tornar a resposta imunológica frágil.

As doenças arteriais devem ser também abordadas de forma a evitar um desfecho ruim como isquemias críticas, infarto e o AVC isquêmico.

Medicamentos com estatinas, vasodilatadores e anti-agregantes plaquetários também fazem parte do tratamento nesses casos.

Além dessas doenças, qualquer outra que venha contribuir para retardo da cicatrização deve ser abordada, pois o tratamento da ferida vai muito além do tratamento tópico.

4) Suplementação Nutricional

A cicatrização de uma ferida requer uma abordagem nutricional adequada.

Feridas crônicas, por exemplo, podem provocar desnutrição grave ou anemia em pacientes.

É sabido que as feridas necessitam de proteínas para que o colágeno seja formado e haja uma resposta anti-inflamatória eficaz.

Com isso, apenas a alimentação comum não será suficiente para suprir todas as calorias e os nutrientes necessários para a melhor cicatrização.

Existem inúmeros suplementos hoje no mercado que fazem essa função, sendo os principais componentes dessas fórmulas a prolina e arginina.

É importante salientar que todo paciente com ferida deve ser avaliado por médicos e nutricionistas antes da prescrição desses suplementos, pois podem haver contraindicações em determinados casos.

No meu dia a dia, é nítida a diferença entre pacientes que fazem suplementação nutricional quando comparados com aqueles que não a fazem.

5) Tratamentos adjuvantes (aceleração da cicatrização)

Tratamentos adjuvantes são modalidades de tratamentos que vão somar para acelerar a cicatrização.

Para feridas nos pés, existem inúmeros deles, como a laserterapia, ozonioterapia, terapia por pressão negativa e medicina hiperbárica.

Em resumo

  • Não existe uma forma única de tratar feridas no pé
  • Cada paciente deve ser analisado individualmente para a escolha do melhor tratamentos
  • É preciso tratar as doenças associadas em conjunto com o tratamento tópico das feridas
  • Feridas há muito tempo abertas podem infeccionar e gerar problemas muito mais graves
  • Existem tecnologias especiais para acelerar a cicatrização das feridas

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