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Como reduzir custos no tratamento de feridas

Os custos em tratamento de feridas costumam representar uma parcela significativa de gastos em saúde para Instituições de Saúde, Operadoras e Prefeituras.

Se você é um gestor e nunca parou para fazer essa análise, recomendo olhar com carinho para esse problema e analisar os custos dos últimos meses nesse segmento.

O avanço das tecnologias em tratamento de feridas, seja com coberturas ou novas terapias adjuvantes, infelizmente não foi acompanhado pelo desenvolvimento dos atores principais que lidam diretamente com esses pacientes. 

Por isso, é muito comum encontrar más práticas, uso indevido de materiais e tratamentos prolongados devido a escolhas incorretas no cuidado com o paciente.

Erros que impactam nos custos do tratamento de feridas

Alguns erros comuns que podem impactar em aumento de custos no tratamento de feridas são:

1) Utilização de técnica estéril em feridas crônicas

Temos inúmeras evidências que apontam a segurança na utilização da técnica limpa em feridas crônicas. 

Um par de luva cirúrgica, por exemplo, pode custar o equivalente a vinte luvas de procedimentos.

Ainda assim, muitos insistem em fazer a opção mais cara, por puro desconhecimento das melhores práticas de tratamento.

2) Uso incorreto de hidrocoloide

A placa de hidrocolóide é uma cobertura que pode permanecer no leito da ferida por sete dias.

Porém, muitas vezes é retirada em menor tempo devido à formação de um gel no leito da ferida, confundido geralmente com infecção. 

Essas placas, em muitos casos, também são usadas como prevenção para lesões por pressão. De certa forma, isso não é errado, mas poderiam ser substituídas por filmes transparentes, que fazem o mesmo papel. E por serem transparentes, permitem uma visualização da pele, o que não é possível com o hidrocoloide.

3) Múltiplas coberturas padronizadas

Um bom protocolo deve ser o mais racional possível, mas nem sempre é o que acontece.

O excesso de coberturas, por exemplo, dificulta a adesão e o raciocínio clínico, além de aumentar os custos.

O ideal é ter no máximo duas variáveis de coberturas para atender determinada demanda do processo de cicatrização. 

Por exemplo: para feridas infectadas, basta utilizar uma cobertura com prata e uma cobertura com PHMB.

4) Não utilização de tecnologias avançadas

Existem hoje diversas tecnologias avançadas que ajudam a acelerar o processo de cicatrização, reduzindo significativamente os custos.

É o caso, por exemplo, da terapia por pressão negativa, também conhecida como curativo a vácuo.

Num tratamento de escaras em estágio grave, por exemplo, o uso do curativo a vácuo por uma semana equivale a um mês de tratamento convencional.

Imagine o quanto isso é capaz de reduzir os custos de tratamento de feridas, ao exigir uma quantidade muito menor de coberturas e de visitas da enfermagem para realizar os curativos.

Eu já vi casos de convênios pagarem por duas visitas diárias de um profissional da enfermagem no domicílio do paciente para a realização de curativos que em pouco contribuíam para o processo de cicatrização.

Isso é muito mais comum do que se imagina e poderia ser resolvido ao se buscar mais conhecimento sobre essa questão que afeta milhões de brasileiros todos os anos.

Como implantar uma política interna de tratamento avançado de feridas visando a redução de custos e o bem-estar do paciente

Para desenvolver um trabalho que envolva redução de custos em tratamento de feridas, é fundamental contar com uma boa assessoria, principalmente de profissionais que tenham formação e vivência no segmento.

Ou seja, é preciso de alguém que seja capaz de analisar caso a caso e criar padronizações de tratamento que promovam um maior bem-estar ao paciente, com menor investimento.

Para isso, é necessário entender também que existem uma série de obstáculos internos que devem ser superados.

É sabido, por exemplo, que muitos laboratórios acabam seduzindo profissionais com influência na padronização de materiais de hospitais com pagamentos de Congressos ou distribuição de brindes – e, em alguns casos, até mesmo com compensação financeira. 

O Compliance deve agir para reforçar o quesito de padronização e deixar bem claros nos manuais da empresa que tais práticas serão passíveis de punição. 

De todo modo, deve-se sempre desconfiar quando existe uma predominância da padronização de materiais de um único laboratório.

Fazendo isso, os Convênios, Instituições de Saúde e Prefeituras poderão economizar milhões de reais anualmente, com uma maior adesão e satisfação dos pacientes.

Referências Bibliográficas

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PRAZERES, S. J. Tratamento de Feridas: Teoria e Prática. 1 ed. Porto Alegre. Morió Editora, 2009.

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