Ferida aberta na perna: o que pode ser e como tratar

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Existem inúmeras causas para uma ferida aberta na perna.

Elas podem ser de origem vascular (má circulação), neuropática, traumática ou consequência de algumas doenças.

As mais comuns, sem dúvidas, são as originadas por problemas de circulação e de doenças como o diabetes, provocando úlceras venosas e arteriais que não cicatrizam.

Úlceras na perna de origem venosa

As de origem venosa são provocadas por uma doença chamada Insuficiência Venosa Crônica, caracterizada por um aumento da pressão no sistema venoso das pernas.

Situações que sobrecarregam as pernas podem causar danos nas estruturas dessas veias, causando uma congestão do sangue nessas veias.

Essa situação provoca  dilatação e o vazamento de líquido nas camadas da pele, o que acarreta a abertura da pele e provoca as conhecidas úlceras venosas (também conhecidas como úlceras varicosas).

Uma vez a ferida aberta, a tendência é que se não bem tratada ela vá aumentando de tamanho.

Os pacientes de risco para desenvolvimento de úlceras venosas são: 

  • obesos
  • mulheres com múltiplas gestações
  • portadores de insuficiência cardíaca congestiva
  • pessoas que trabalham longos períodos de tempo
  • pessoas com histórico familiar de úlceras venosas e outros problemas de circulação sanguínea

Quais os riscos de não tratar uma úlcera venosa?

A congestão venosa pode levar a um aumento do risco do desenvolvimento de trombose venosa profunda, que é a formação de um coágulo em uma veia da perna. 

É uma situação de extremo risco, pois esse coágulo pode se desprender e ir parar no pulmão, causando o que chamamos de Tromboembolismo Pulmonar, uma situação de alta mortalidade. 

Um ponto importante nas úlceras venosas é que, após a ferida cicatrizar, é necessário manter o acompanhamento e compressão do membro a fim de evitar a reincidência da ferida.

É importante ressaltar ainda que a ferida é apenas a manifestação da doença de insuficiência venosa crônica, que seguirá impactando o paciente.

Alguns pacientes chegam até mesmo à cirurgia para resolver a doença. Essas cirurgias podem ser convencionais com a retirada da veia doente ou por métodos como a técnica de espuma.

Feridas na perna de origem arterial

As úlceras de origem arterial são provocadas por uma interrupção do suprimento sanguíneo em determinada parte da perna.

A principal causa são as placas de gordura acumuladas nas artérias, chamadas de placas ateromatosas.

Os pacientes de risco são aqueles com:

  • colesterol alto
  • diabetes
  • fumantes

Essas feridas geralmente são dolorosas e profundas, têm formato arredondado e acompanham geralmente o trajeto das artérias acometidas.

A sensação de piora da dor aumenta ao andar ou quando dorme e eleva os membros. 

A úlcera arterial pode levar ao risco de amputação dos membros ou de parte deles. 

Úlceras Neuropáticas

As úlceras neuropáticas são provocadas por problemas nos nervos das pernas. As principais doenças que levam a esse acometimento são a Hanseníase e Diabetes.

No diabetes pode ocorrer três tipos de neuropatia: autonômica, motora e sensitiva, formando as conhecidas feridas de pé diabético.

Na neuropatia autonômica acontece uma perda do controle da regulação da transpiração desse membro, o que irá provocar um ressecamento dos pés e formação de rachaduras. Isso irá contribuir para a formação de feridas.

Já na neuropatia motora existe um desabamento da articulação dos membros inferiores, que provoca aumento de pressão em determinadas áreas do pé. Com isso, provoca a formação de calos, o que pode contribuir para a formação de feridas.

E a neuropatia sensitiva, por sua vez, provoca a perda de sensibilidade nos pés. É comum, nestes casos, o paciente se machucar ou queimar a sola do pé sem ao menos perceber.

Diferenças entre úlcera venosa e arterial

Veja algumas diferenças entre a úlcera arterial e a venosa:

Formato: a úlcera arterial geralmente é arredondada, enquanto a venosa tem formato irregular e bordas mal definidas.

Profundidade: a úlcera arterial é mais profunda. Já a úlcera venosa é mais superficial.

Exsudato (líquido que sai da lesão): as feridas arteriais tendem a ser secas, enquanto as de origem venosa são exsudativas, ou seja, têm líquidos em volta da lesão.

Pele perilesional (pele em volta da ferida): nas lesões de origem arterial é comum que a pele seja seca, descamativa, sem pêlos e tenha características de atrofia. Nas feridas haver em volta da lesão sinais como edema (inchaço), veias dilatadas, pele acastanhada (dermatite), eczema de estase (vermelhidão que coça) e alterações tróficas da pele como a lipodermatoesclerose, que é uma aparência da perna como se fosse uma garrafa de champagne invertida.

Padrão de dor: a úlcera arterial tem um padrão de dor que piora quando a pessoa anda e eleva as pernas, e na úlcera venosa ocorre o contrário.

Doenças associadas: é comum que problemas arteriais estejam associados com diabetes e colesterol alto. Os problemas venosos acontecem mais em obesos, múltiplas gestações e pessoas que já tiveram Trombose Venosa Profunda.

Quais exames são necessários para avaliação de uma ferida aberta na perna?

O primeiro passo para um diagnóstico é a boa anamnese do médico ou do enfermeiro estomaterapeuta (especializado em tratamento de feridas).

Essa conversa inicial tem o objetivo de entender todo o histórico do paciente e, a partir daí, chegar a um provável diagnóstico.

Para complementar, podem ser solicitados exames como:

USG Doppler Venoso e Arterial:

É um estudo das veias e artérias da perna a fim de encontrar alterações como dilatações, refluxos ou obstruções.

Índice de Pressão Tornozelo Braço:

Exame de fácil execução, consiste no cálculo da divisão da pressão sistólica do tornozelo pela pressão sistólica do braço.

O resultado permite verificar o grau de obstrução arterial, sendo que valores menores são compatíveis com quadros obstrutivos.

O normal seria um valor de 1. Abaixo disso já indica doença arterial, sendo que abaixo de 0,5 é um caso grave que necessita intervenção para restabelecer o fluxo sanguíneo.

Exames Laboratoriais:

Os mais importantes são os de colesterol e glicemia.

Pacientes diabéticos precisam realizar com frequência o exame de hemoglobina glicada que permite ver se sua doença está controlada.

O exame de colesterol é fundamental nas doenças arteriais, pois a meta de colesterol nesses pacientes é mais rigorosa, a fim de evitar a obstrução completa das artérias da perna e também do coração e cérebro.

O paciente com uma ferida aberta na perna ou nos pés, normalmente, tem um maior risco para infartar e ter um AVC isquêmico (Acidente Vascular Cerebral).

Como tratar uma ferida aberta na perna

O ponto principal do tratamento é o diagnóstico correto.

As úlceras venosas são tratadas primordialmente com terapias compressivas.

Essas terapias visam aumentar o retorno venoso, diminuir a pressão nas pernas e melhorar a oxigenação da ferida.

Podem ser feitas com bandagens compressivas, faixas elásticas, meias elásticas e dispositivos de velcro.

Nos casos de feridas arteriais é necessário avaliar a necessidade de procedimento que leva a melhora da irrigação da perna.

Em alguns casos, procedimentos cirúrgicos são necessários para desobstruir a artéria acometida.

Pacientes com feridas arteriais também precisam ter níveis de colesterol excelentes, usar antiagregantes plaquetários e vasodilatadores sob prescrição médica.

Qual melhor curativo para uma ferida aberta na perna?

Não existe essa receita de bolo, pois cada ferida tem sua individualidade.

Existem inúmeros curativos para acelerar a cicatrização da ferida.

Os pontos principais do tratamento tópico são: remover tecido necrótico, tratar a infecção da ferida, controlar a umidade e manter a pele em volta da ferida íntegra.

Existem tratamentos para acelerar a cicatrização de feridas na perna?

Existem, sim, tratamentos associados ao tratamento comum para acelerar a cicatrização.

Os principais tratamentos para essas feridas são: laserterapia, ozonioterapia e terapia por pressão negativa.

Principais pontos para melhorar a cicatrização de feridas abertas na perna

  • Ter uma boa assistência médica
  • Ter um diagnóstico correto
  • Utilizar suplementação nutricional prescrita por um profissional
  • Não deixar a ferida descoberta.
  • Utilizar curativos de acordo com a demanda da ferida
  • Manter a pele em volta da ferida longe de umidade
  • Utilizar terapia compressiva em membros inferiores com insuficiência venosa crônica
  • Ter um bom controle das doenças de base: hipertensão, diabetes e colesterol alto
  • Não aplicar nada na ferida que não seja prescrito por um profissional especializado
  • Não usar tratamentos realizados por vizinhos e amigos pode ter dado certo para ele, o que não quer dizer que dará certo para você
  • Parar com tabagismo e uso de bebidas alcóolicas

Como encontrar tratamento especializado em feridas?

As feridas abertas na perna, normalmente, precisam de um tratamento que vai muito além de simplesmente receitar um curativo.

É preciso analisar todo o histórico do paciente, solicitar exames específicos e somente a partir daí concluir o diagnóstico.

Por isso, é fundamental procurar uma clínica especializada em tratamento de feridas, com a atuação conjunta de profissionais de diversas especialidades.

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